“eu às vezes ponho-me a contar as carruagens”

A Linha de Leixões, também conhecida como Linha de Cintura do Porto, Linha de Circunvalação do Porto, ou Linha de Circunvalação de Leixões, é uma ligação ferroviária entre o Porto de Leixões e a estação de Contumil, na Linha do Minho, em Portugal.

Infraestrutra criada em 1938 cruza os concelhos do Porto, Gondomar, Maia e Matosinhos através de uma linha quase invísivel com uma importância crítica para a movimentação de mercadorias do Porto de Leixões.

Em 1987, a linha passou a ter um perfil exclusivamente de transporte de mercadorias, tendo o serviço de transporte de passageiros sido abandonado. Atravessando algumas das freguesias mais populosas do País (Campanhã, Rio Tinto, Águas Santas ou São Mamede) com dezenas de milhares de habitantes cessou o contacto direto com as suas populações. Excepto, para aqueles que habitam junto ao trajecto e às suas intersecções.

No cruzamento com os dormitórios, as fábricas ou os cantos rurais que tipificam a malha urbana do grande Porto, há mais de meio século que os habitantes se habituaram à buzina de aviso da automotora que corta abruptamente o silêncio das traves de ferro inertes. A força das composições (que podem atingir a extensão de 500 metros) faz uma pausa no quotidiano, daqueles que momentaneamente cruzam a linha ou lhes retiram a visão para o outro lado da linha.

Não sabem quando vai passar, mas sabem que vai passar, esta relação aleatória temporal alegra a vida daqueles que habitam paredes meias com a linha.

“eu às vezes ponho-me a contar as carruagens” – Maria Adelina, 82 anos

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